Pois é... dia de fechamento... mês de fechamento como um todo....
Hoje foi o dia da formatura de alguns alunos... na verdade, mais especificamente, os 3 mais especiais. Mavi, Rafinha e Rick.
Embora eu tenha saído de cena antes do fim da história, foi nítido ver o carinho que por mim ainda consigo carregavam.
Eu precisava sair de cena. Eu queria voltar para o mercado. E pela primeira vez em muito tempo eu estava pensando em mim. Eu podia ter ficado, e procurado voltar para o mercado em janeiro, quando todos estariam formados. Mas não. Eu pensei em mim. E não me arrependo.
E passeando pelo salão da formatura ora ou outra escutava um “psiu!”. Dentre todos tantos que ouvi, alguns eram para mim. Mães de alunos esporádicos, ou ainda as mães daqueles que vi apenas uma vez. Mães, pais, tios, avôs, amigos.
Eu, a professora particular, estava ali como amiga, tia... dê o nome que bem entender. Mas estava ali com meu coração batendo forte de alegria e orgulho.
E de mãe em mãe, uma história para ouvir, um orgulho para dividir. Compartilhei com elas o sorriso da satisfação, os dizeres de saudade, e quem sabe até uma certa cobrança... afinal, eu havia dado a cria delas uma lição que tentei dar durante muitos anos a todos eles: amadurecimento.
Sim, com minha ausência ensinei para eles o que para mim hoje há de mais certo: nada é para sempre, ninguém é insubstituível, e você pode vencer sozinho sim!
Eu participei da vida desses meninos, hoje pré-adultos! Acompanhei as mudanças de voz, as namoradas e namorados, os rolos, o “quem ficou com quem”, as notas, os choros, as alegrias, as brincadeiras, a angústia, a dor, a necessidade, a confiança, as noites insones, os inícios de madrugadas, os olhos cheios de esperança que me recebiam a cada nova aula.
Então, antes de achar que estavam prontos para continuar sem a minha presença eu parti. Parti para um novo mundo, um mundo que me brilhou os olhos. Mas não esqueci das pessoas que comigo estiveram até ali. Quando passei por momentos difíceis, eles estavam ao meu lado. No dia que passei mal, dei aula para os três que hoje se formaram. Depois, no início do ano, recebi o carinho do retorno às aulas... eles acompanharam minha perda de peso, minha depressão... e vibravam quando viram que eu estava melhorando.
Não posso reclamar: Deus é muito bom comigo.
Hoje eu tive mais um presente, dentre tantos que tenho recebido nos últimos dias. Hoje revi o Rafinha, pegando o diploma, sorrindo quando me viu. Trocamos poucas palavras, mas o suficiente para sermos mutuamente gratos. Depois, um presente duplo: Mavi e Rick como oradores da turma. Não tenho palavras para expressar minha alegria quando vi meus dois pupilos ali, mostrando que cresceram.
Nesses últimos anos eu fui, de certa forma, parte dessas famílias. E então precisei me afastar. E eles não fizeram feio. Foram em frente, com direito a medalha e tudo o mais.
Estou feliz. Morrendo de orgulho. Satisfeita.
Mais um ciclo que se fechou, este com chave de ouro e direito a aplausos. Uma etapa que cessou em grande estilo.
Obrigada!